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Lectura

Poemas

I

Vazio

«O vazio me preenche como um copo meio cheio.»

O grande vazio misterioso,

De repente surge,

Vai me deixar só o osso?

A corda range,

Eu vou sobreviver?

Vai me deixar sofrer?

O vazio me preenche como um copo meio cheio,

O nada corrói dentro de mim,

Quando vou poder sentir?

Quando vou poder existir?

Eu poderia desistir,

Até quando vou ter que te suportar?

Até quando vou ter que te aturar?

Não consigo nem chorar,

Na multidão não dá para gritar,

De você eu quero me livrar,

De você em decomposição eu vou entrar.

II

Culpado

«Talvez nunca deveria ter sido amado.»

Me sinto culpado,

Olho pros lados e me vejo enganado,

Erros a mais foram adicionados.

Talvez eu possa ter errado,

Por isso não tem ninguém do meu lado,

Talvez nunca deveria ter sido amado.

III

Aceitação

«Se eu matar minha alma única, você fica satisfeito?»

Desejo angustiante por aceitação,

Eu corro pela sua direção,

Eu te dou o meu coração,

Mas não é o suficiente,

Eu te dou a minha mente,

Mas não é bom o bastante,

Eu coloco minhas partes na estante,

Removendo e recolocando no mesmo instante,

Medo tenebroso por julgação,

Tentando se encaixar ao padrão,

Se eu matar minha alma única, você fica satisfeito?

Na minha solidão eu me deito,

Na minha escuridão eu me rejeito.

IV

Aborrescência

«Correr pra bem distante, e sumir no horizonte.»

Experiências ruins e sentimentos confusos,

Acho que isso se chama adolescência.

É verdade que minha cabeça falta parafusos,

Mas sei que tenho consciência.

Eu apenas quero parar de chorar,

Nada mais vai me abalar,

Ninguém nunca mais vai me calar,

Porque agora tenho liberdade,

Mas tenho que ter cuidado com minha sensibilidade.

Talvez eu não tenho maturidade,

Mas quem se importa nesse mundo cheio de falsidade,

Só quero correr e viver,

Correr pra bem distante,

E sumir no horizonte.

V

Vida sem sentido

«Nascer para crescer, crescer para morrer.»

Nascer para crescer,

Crescer para morrer,

O que será de mim?

Eu te pergunto,

Como uma sanguessuga que suga meu corpo sem fim,

Rasgar minha pele até deixar em carne viva,

Triturar meus ossos até virar poeira,

Moer meus órgãos até deixar de ser nativa,

Torcer minha alma até escorrer na torneira,

Será que isso eu mereço?

Ou é apenas um destino sem saída?

Na angústia da dor do meu sentimento eu apareço,

Eu não posso novamente ter uma recaída,

O paradoxo da crise existencial,

Nessa existência tudo parece ser imparcial.

VI

Suicídio

«Você era tão feliz. O que te deixou infeliz?»

Noite fria e densa,

Sensação da chegada de sua morte,

Ela para e pensa,

“Essa será a minha última noite”,

O fim parece ser a sua última salvação,

Isso será o resultado de sua reação,

Já era tarde demais,

Um corpo morto, sem consciência,

Desfez aquilo que era algo a mais,

Melhor estar morta, do que receber consequências,

Daquilo que ela nunca soube explicar,

Naquilo que ela nunca soube atacar,

Será que o suicídio é verídico?

Ou apenas uma fuga de seu tormento?

Para o seu descanso eu te dedico,

Deixe-me lembrar do seu rosto por um momento,

Você era tão feliz,

O que te deixou infeliz?

Não há nada para se fazer,

Você conseguiu o que queria,

E junto a você eu quero morrer,

E se eu pudesse, a sua salvação eu a mataria.

VII

Demência

«Uma voz ecoando, bem baixo.»

Há uma voz ecoando, bem baixo, no fundo da minha consciência;

“É melhor ninguém saber da sua existência.”

Mas o porquê dessa insistência?

VIII

Inferioridade

«Vou apodrecer no solo, sem reconhecimento.»

Eu nem sei o que dizer,

Eu nem sei no que pensar,

Não sei para onde correr,

Não sei para onde descansar,

Eu só vivo para viver,

Porque se fosse pra morrer, debaixo da terra eu já estaria a descascar.

Por que a vida tem que ser tão cruel?

Infelizmente para nós pobres e minorias nunca teremos a chanche de receber um troféu de consideração,

Mas fazer o que, não escolhemos o que vamos ser.

Mas por que sangra o meu coração?

Eu só quero saber, só quero crescer, só quero reconhecer,

O meu primeiro e último desejo seria a notação e validação da minha ação.

Eu nem sei o que dizer,

Eu nem sei no que pensar,

Não sei para onde correr,

Não sei para onde descansar,

Eu só vivo para viver,

Porque se fosse pra morrer, debaixo da terra eu já estaria a descascar.

No final de tudo Infelizmente,

Não importará o quanto eu tente,

Vou apodrecer no solo,

Sem reconhecimento, sem vivência e sem importância.